sábado, 30 de outubro de 2010

Alguns conceitos iniciais da Viabilidade de Projetos

Amortização

Amortização é um processo de extinção de uma dívida através de pagamentos periódicos, que são realizados em função de um planejamento, de modo que cada prestação corresponde à soma do reembolso do capital ou do pagamento dos juros do saldo devedor, podendo ser o reembolso de ambos, sendo que os juros são sempre calculados sobre o saldo devedor.

No Brasil, existe a amortização contábil, cujo conceito não se restringe à diminuição de dívidas, mas também à direitos intangíveis classificados no ativo (conta de balanço), derivado da teoria de dimensão económico dos fundos contábeis. Assim, associa-se o termo amortização contábil, à depreciação contábel (redução de bens tangíveis) e à exaustão contábil (recursos naturais).

Conceitos relacionados

Existem alguns termos que são usados no meio económico/financeiro em relação à amortização que é interessante conhecer. São eles:

  • Credor ou mutuante: É a pessoa que mutua, ou seja, que cede o empréstimo.
  • Devedor ou mutuário: É aquele que recebe alguma coisa por empréstimo.
  • Taxa de juros: É a taxa acordada entre as partes. É sempre calculada sobre o saldo devedor, também é chamada de custo do dinheiro.
  • Prazo de carência: Corresponde ao período compreendido entre o prazo de utilização e o pagamento da primeira amortização.
  • Prazo de utilização: Corresponde ao intervalo de tempo durante o qual o empréstimo é transferido do credor para o devedor.
  • Prazo de amortização: É o intervalo de tempo durante o qual são pagas as amortizações.
  • Parcelas de amortização: Correspondem às parcelas de devolução do principal.
  • Prestação: É a soma da amortização acrescida de juros e encargos.

Sistemas de amortização

  • Sistema Francês de Amortização (Tabela Price) - pagamentos iguais período a período
  • Sistema de Amortização Constante (SAC)
  • Sistema de Amortização Misto (SAM)
  • Sistema de Amortização Americano - pagamento no final, com juros calculados período a período
  • Sistema Americano com Sinking Fund
  • Sistema de Amortização Variável
  • Sistema Alemão de Amortização
  • Arrendamento Mercantil (Leasing)

Tabela Price

Tabela Price, também chamado de sistema francês de amortização, é um método usado em amortização de empréstimo cuja principal característica é apresentar prestações (ou parcelas) iguais. O método foi apresentado em 1771 por Richard Price em sua obra "Observações sobre Pagamentos Remissivos" (em inglês: Observations on Reversionary Payments).

O método foi idealizado pelo seu autor para pensões e aposentadorias. No entanto, foi a partir da 2ª revolução industrial que sua metodologia de cálculo foi aproveitada para cálculos de amortização de empréstimo.

A Tabela Price considera o valor das parcelas de um empréstimo como constantes, onde flutuam em cada parcela o valor relativo ao pagamento dos juros e o da amortização do valor emprestado.

Tomemos como exemplo um empréstimo de $ 1.000,00 com taxa de juros de 3% ao mês a ser pago em 4 parcelas mensais. Para calcular o valor da parcela, deve-se usar a fórmula de juros compostos combinada com a da progressão geométrica, resultando em:



onde:

  • pmt: Valor da parcela
  • PV: Valor Presente (do inglês Present Value)
  • i: Taxa de juros (do inglês Interest Rate)
  • n: Número de períodos

No caso do exemplo, o cálculo da pmt: é:




Um mês depois do empréstimo, o saldo devedor cresce 3% indo para $ 1.030,00, porém, como também deve ocorrer o pagamento de $ 269,03, o saldo devedor passa a ser $ 760,97. Perceba que o pagamento da parcela cobriu os juros de $ 30,00 e também fez a amortização de $ 239,03 (760,97 - 30,00) do valor emprestado. O mesmo ocorre nos meses seguintes, porém, como o saldo devedor diminui a cada mês, o valor das parcelas relativo ao pagamento dos juros é decrescente.

Exemplo da Tabela Price:

Mês (n)

SDi

Parcela

SDf

V. Total (A+J)

Amortização

Juros (J)

0

-

-

-

-

1.000,00

1

1.000,00

269,03

239,03

30,00

760,97

2

760,97

269,03

246,20

22,83

514,77

3

514,77

269,03

253,58

15,44

261,19

4

261,19

269,03

261,19

7,84

0,00

SDi (Saldo Inicial) = SDf anterior; SDf (Saldo Final) = SDi – Amortização; Juros (J) –sobre SDf anterior

Este sistema é muito utilizado na compra de eletro-eletrônicos, automóveis e bens similares.

Tabela SAC (Sistema de Amortização Constante)

Sistema de Amortização Constante (SAC) é a amortização de um empréstimo onde o saldo devedor é reembolsado em valores de amortização iguais. Desta forma, no sistema SAC o valor das prestações é decrescente, já que os juros diminuem a cada prestação. O valor da amortização é calculada dividindo-se o valor do principal pelo número de períodos de pagamento, ou seja, de parcelas.

Considerando o mesmo exemplo anterior, um empréstimo de $ 1.000,00 com taxa de juros de 3% ao mês a ser pago em 4 parcelas mensais, temos o seguinte:

Exemplo da Tabela SAC:

Mês (n)

SDi

Parcela

SDf

V. Total (A+J)

Amortização

Juros (J)

0

-

-

-

-

1.000,00

1

1.000,00

280,00

250,00

30,00

750,00

2

750,00

277,50

250,00

22,50

500,00

3

500,00

265,00

250,00

15,00

250,00

4

250,00

257,50

250,00

7,50

0,00

SDi (Saldo Inicial) = SDf anterior; SDf (Saldo Final) = SDi – Amortização; Juros (J) –sobre SDf anterior

O SAC é um dos tipos de sistema de amortização utilizados em financiamentos imobiliários. A principal característica do SAC é que ele amortiza um percentual fixo do saldo devedor desde o início do financiamento. Esse percentual de amortização é sempre o mesmo, o que faz com que a parcela de amortização da dívida seja maior no início do financiamento, fazendo com que o saldo devedor caia mais rapidamente do que em outros mecanismos de amortização.

TABELA PRICE X TABELA SAC

Como regra geral, as parcelas iniciais na SAC são bem maiores que na Price, mas vão decrescendo até atingirem valores bem inferiores ao da Price.

Como a amortização é constante e com valores iniciais mais altos, a SAC apresenta menor risco e retorno inicial mais rápido para o Credor. Por este fato é que esta tabela é a utilizada pelos bancos para os grandes financiamentos.

Veja um gráfico comparando as duas modalidades, neste caso para um empréstimo de $110.500,00 em 360 meses à uma taxa de juros de 0,72% ao mês.

Fontes: Wikipédia, Fazaconta.com (blog) e notas de aula.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Resenha: “Viabilidade Econômico-Financeira de Projetos”


Autores: Ricardo Bordeaux Rêgo; Goret Pereira Paulo; Ilda M. de Paiva Almeida Spritzer; Luís Pérez Zotes


O objetivo do livro Viabilidade Econômico-Financeira de Projetos é apresentar um roteiro para a correta avaliação de projetos. Foram introduzidos conceitos que apóiem o gerente de projetos na sua tomada de decisão. Trata-se de um livro abrangente, com muitos exemplos e sólido embasamento teórico. O livro compreende cinco capítulos. Iniciamos nosso estudo com a determinação dos fluxos de caixa, revendo importantes conceitos contábeis, que servem de base à análise de valor dos projetos. Dessa forma, o primeiro capítulo inclui a base conceitual em finanças para o estudo de viabilidade de projetos. São apresentados os conceitos de empresa, noções de capital de giro e orientação para a projeção dos fluxos de caixa de um projeto.

O segundo capítulo apresenta os modelos determinísticos usualmente utilizados na avaliação de oportunidades de investimento. São apresentados os modelos de payback simples e descontado, valor presente líquido, taxa interna de retorno e índice de lucratividade. São abordadas suas vantagens e limitações por meio de exemplos práticos. O capítulo seguinte aborda risco e o custo de capital sob os pontos de vista dos proprietários (acionistas), credores e da empresa como um todo. São tratados os conceitos de alavancagem operacional e financeira. Financiamento com o uso de leasing, suas vantagens e desvantagens também são externadas. O quarto capítulo relata os riscos econômico-financeiros dos projetos: isolado, da empresa e de mercado, bem como os métodos de ajustes adequados. Desse modo, apresenta exemplos de equivalência à certeza, análises de sensibilidade e cenários, ajuste de taxas de desconto, árvores de decisão e simulações. O método de ponta das opções reais é relatado, bem como a utilização de Project Finance. O capítulo cinco apresenta um estudo de caso abrangente no qual se sintetiza o conteúdo aprendido. Apresentamos a análise da viabilidade econômico-financeira de dois projetos e a tomada de decisão, verificando a geração de valor para o acionista. Aplicações especiais são desenvolvidas, ilustrando a utilização de diversas técnicas apresentadas. Todos os capítulos são concluídos com um resumo informativo de seu conteúdo, facilitando futuras consultas.

Finalmente, na conclusão, ponderamos que tudo o que estudamos somente tem significado quando somado à nossa experiência pessoal. A intuição, tão arduamente desenvolvida ao longo da vida, estará, acima de tudo, a serviço do leitor, para que possa escolher a abordagem adequada e os instrumentos mais eficazes para tomar suas decisões de investimento em projetos. Nesse sentido, os exemplos práticos apresentados facilitarão a compreensão, mas isso não exclui a necessária contribuição da sua visão das oportunidades de investimento, do futuro, e até seus sonhos. De fato, por trás de cada projeto, há um sonho que surgiu quase que por acaso. A centelha criadora está presente em todos nós, e o livro se propõe a auxiliar a todos quantos desejem transformar seus projetos em realidade. Desejamos que nosso esforço sirva para pavimentar o caminho de muitos empreendedores, gerentes de projetos, construtores de um mundo melhor para todos nós.

fonte: http://www.mundopm.com.br/noticias/fgv.html

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Resenha: “Gerenciamento de Riscos em Projetos”

Autores: Carlos A. Corrêa Salles Jr., Alonso M. Soler, J. Angelo S. do Valle e Roque Rabechini Jr.


Este livro tem como objetivo proporcionar uma visão diferenciada sobre o gerenciamento de Gerenciamento de Riscos em Projetos, freqüentemente visto como atividade secundária e não realizada na maioria dos projetos. O livro faz uma reflexão sobre qual a real importância do tema para projetos, e analisa quais os benefícios para os gerentes de projetos ao usar a metodologia.

O livro está estruturado em quatro capítulos, contextualizando riscos na história e nos diversos segmentos de negócios e abordando detalhadamente os processos, de forma clara e estruturada, possibilitando o domínio sobre a metodologia, e que tem como base os processos propostos no PMBok do PMI. O livro também procura transmitir ao leitor segurança no processo, de forma a possibilitar a gerência de riscos em projetos, mesmo sem termos dados históricos de riscos.

A analise histórica nos mostra que o risco está ligado ao simples ato de viver. Olhar para o futuro, que é a essência dos projetos, significa obrigatoriamente viver situações de incerteza, nas quais o risco esta presente. Planejar, sem levar em consideração as incertezas, significa achar que o futuro é meramente uma continuidade do passado, o que não é necessariamente verdade. E considerar as situações de incerteza (riscos), torna nossos planos e conseqüentemente nossas decisões, muito mais reais ou menos sujeitas a erros.

O livro também aborda o processo de análise dos riscos, comparando-o com o processo utilizado nos mercados financeiro e segurador, e mostrando que não há diferença na definição ou nos processos gerenciais dos riscos. Risco é uma incerteza, futura, com reflexos positivos ou negativos sobre seus objetivos. Esta definição abrangente demonstra que o risco em projeto em nada difere do risco operacional, do risco segurável ou do risco de negócio. Os processos propostos no PMBok para gerenciamento de riscos em projetos muito pouco diferem em sua essência dos processos utilizados nos mercados financeiros e segurador. Isso aponta que a metodologia proposta neste livro serve para gerenciar riscos de qualquer tipo, em qualquer nível na organização e em qualquer segmento de negócio.

As oportunidades e ameaças de negócio, constantes do Modelo SWOT, nada mais são do que riscos de negócio no nível estratégico e podem ser tratadas através da metodologia descrita neste livro.

fonte: http://www.mundopm.com.br/noticias/fgv.html

Exemplo de EAR