quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Índia rural pode ser mercado de testes para par de tênis de US$ 1

Fonte: BBC
Depois de servir de mercado de testes para carros e tablets a preços baixos, a Índia pode agora receber um dos pares de tênis de marca mais baratos do mundo. A empresa Adidas está desenvolvendo um tênis da marca Reebok para ser vendido em breve na área rural indiana, por um preço que pode chegar a US$ 1.

Em muitas partes do mundo, um típico par de tênis Reebok geralmente custa entre US$ 50 e US$ 100. Como então pode ser que um par custe 1% disso na Índia? O produto é planejado há anos. Em 2008, o executivo-chefe da Adidas, Herbert Hainer, iniciou conversas com o respeitado economista bengalês Muhammad Yunus para prover tênis de baixo custo em Bangladesh. A ideia era criar um "negócio social" que estimulasse a economia local.

Isso levou a um projeto-piloto no ano passado, em que a Adidas vendeu 5 mil pares de Reebok em três vilas bengalesas, pelo equivalente a US$ 1,14 e US$ 1,70. A fase seguinte do plano está sendo idealizada no momento, aparentemente para desenvolver tênis em larga escala em áreas rurais indianas, a um preço acessível aos moradores locais. O objetivo do projeto, diz a empresa, não é maximizar os lucros, mas "enfrentar problemas sociais" por meio da criação de empregos.  Hainer disse a um jornal alemão que o tênis de US$ 1 segue sendo o objetivo principal do projeto, mas a assessoria de imprensa da Adidas ressaltou nesta semana que o preço final viável ainda não foi determinado.

Dá lucro?
"O tênis será vendido em aldeias por uma rede de distribuição", disse Hainer. "Queremos que o produto seja autossustentável." Ele agregou que, ao contrário do projeto em Bangladesh - onde cada par de tênis tinha custo de produção de US$ 3, mais US$ 3,50 de custo de importação, sendo vendido a um prejuízo de cerca de US$ 5 -, os custos na Índia serão muito mais baixos, porque seriam produzidos em massa e localmente.

O sucesso do negócio dependeria de um alto volume de vendas e de margens de lucro bastante estreitas, do uso de mão de obra e materiais locais - e mesmo assim não haveria garantia de lucro. Mas, além do apelo de marketing e social, o projeto permitiria o estabelecimento da marca em um mercado extenso. Para explorar um mercado de consumo tão grande quanto o indiano, as empresas precisam adotar um esquema de grandes quantidades e baixos custos, diz a consultora de mercado Rama Bijapurkar.  "Dois terços da Índia ainda têm rendas muito modestas. Se você for esperar essas rendas subirem a níveis a que as pessoas possam comprar um tênis Adidas (a preços tradicionais), vai ter que esperar muito", agregou. "O desafio das multinacionais é como fazer produtos que as pessoas possam comprar a custos que ainda lhes deem lucros."

Descalços ou de sandálias

Ainda não foi definida uma data para o lançamento do projeto indiano, e o design do tênis ainda está em desenvolvimento. Em geral, moradores da Índia rural usam sandálias, sapatos produzidos localmente ou andam descalços, diz Bijapurkar. Sendo assim, tênis baratos e duráveis representariam uma melhoria de vida.

Mas não espere que o tênis de US$ 1 seja igual ao tênis de US$ 100 vendido em Nova York, diz ela. O par mais barato provavelmente será bom o suficiente para cumprir sua função na Índia - ajudar nas caminhadas dos moradores rurais -, mas não para corridas de alta performance. O modelo de varejo da Adidas na Índia é completamente diferente de tudo o que se vê no Ocidente, diz a analista de varejo Maureen Hinton, da empresa de pesquisas Veredict.
"(O tênis de US$ 1) é incrivelmente barato, mas, em um país de 1 bilhão de pessoas, o volume significa que, enquanto você estiver lucrando uma margem pequena (em cada par vendido), essa margem é considerável." Além disso, afirma Hinton, ao operar em uma área rural, a Adidas poderia reduzir seus custos operacionais e de marketing, além de fincar-se "em um mercado que deve crescer". "Ainda não há um mercado de massa para tênis na Índia - o desafio é fazer com que (os indianos) adotem um tipo diferente de calçado, ao mesmo tempo em que (a empresa) se associa a um projeto de responsabilidade social."

Amostras grátis são nova aposta do Grupo Talkability

Brasil Econômico - 25/11/11
Às pessoas ávidas por lançamentos, o Grupo Talkability traz uma novidade: a chance de receber em casa amostras grátis de produtos.
O Amostra Click, que começa a operar em dezembro, é fruto de uma parceria com o fundo Calés Investimentos, e vai proporcionar a experiência de consumo gratuito.

O negócio é simples. No site, o anunciante disponibiliza seus produtos para teste e análise. O consumidor, por sua vez, escolhe até cinco itens que deseja provar.
Em contrapartida, após degustação das amostras, o consumidor deverá descrever sua opinião no próprio site, o que lhe garantirá a possibilidade de escolher mais cinco itens no próximo mês. 

"O anunciante coloca de forma qualificada seus produtos na mão do consumidor e tem feed back", aponta Fernando Figueiredo, presidente do Grupo Talkability, que conta com mais seis empresas especializadas em marketing promocional, entre elas a Bullet.
 

Vale destacar ainda que os produtos disponíveis variam de consumidor para consumidor, pois são baseados em um questionário sociocultural e comportamental respondido no ato do cadastro.

"Dar produto de graça é muito legal, buscamos o formato que a indústria aderiria", disse o executivo, destacando que o negócio facilita o processo de escolha e aquisição de produtos.

Comparado com a distribuição de brindes, os custos das empresas são menores, já que este modelo de negócio dispensa a contratação e treinamento de promotores, além de eliminar a produção de material de apoio e assegurar o aproveitamento de 100% dos produtos.
 

Após experiência de uma loja física com o mesmo propósito - atualmente desativada -, a aposta na modalidade virtual também levou em consideração a abrangência geográfica, conforme explicou Figueiredo.
 

O investimento inicial foi de R$ 1,5 milhão, reservada a participação de 5% ao Calés Investimentos. A expectativa é que o Amostra Click tenha faturamento de R$ 3 milhões e distribua mais de 1 milhão de produtos até o final de 2012.
 

De acordo com Figueiredo, a receita do Amostra Click vem da margem da distribuição, realizada pelo Grupo Talkability. O anunciante paga cerca de R$ 6,00 por produto distribuído.
 

Inicialmente, o serviço será gratuito. "Podemos cobrar ou não do consumidor, dependerá de como negócio vai se desenvolver", considera Figueiredo.

Com os cadastros em andamento, o projeto contabilizava 20 mil consumidores e 10 clientes na primeira quinzena de novembro.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

domingo, 25 de setembro de 2011

Dalai Lama propõe novos paradigmas e métodos gerenciais

Como os princípios morais, a educação do coração e um novo olhar nas negociações podem revolucionar empresas, mercados e lideranças

Em sua palestra a empresários de São Paulo no último dia 15 de setembro, no evento “Uma nova consciência nos negócios”, iniciativa do Fórum de Líderes Empresariais e da Associação Palas Athena, o que o Dalai Lama propôs foi bem mais profundo do que pode parecer aos que se deixam iludir pela espontaneidade de suas palavras. Transportando para o jargão do meio corporativo, ele sugeriu às empresas nada menos do que novas métricas de desempenho, a adição de um paradigma gerencial além do dinheiro e um novo método gerencial de resolução de problemas.

A mudança é tão ambiciosa e, ao mesmo tempo, tão sensata, que faz por merecer, no mínimo, algumas reflexões e discussões estruturadas nos ambientes de trabalho. A Revista HSM Management estava no evento e destaca, especialmente para o Portal HSM, as quatro principais propostas apresentadas pelo Dalai Lama:

1. A adoção de métricas de desempenho mais abrangentes do que as atuais.

Segundo o líder espiritual, consequências negativas inesperadas são indicadores indiscutíveis de que as coisas vão mal no modo atual de fazer negócios e, apesar disso, continuam sendo desconsiderados nas avaliações das lideranças. Devem ser incluídos com urgência, em sua opinião.

Entre os exemplos que o Dalai Lama citou está o elevado número de gestores com problemas de saúde (um médico norte-americano lhe disse já haver pesquisas relacionando as pessoas desconfiadas que hoje povoam o ambiente corporativo com a maior incidência de doenças do coração), as mortes em massa que houve por conta de guerras e fome no século 20, o congestionamento de carros nas ruas das grandes cidades.

Para ele, tudo isso traz prejuízos aos negócios e é causado pelos negócios em última instância (ou seja, é gerado pelo modo de produção atual). Portanto, tudo isso precisa passar a ser visto como indicador de que o sistema não está funcionando bem.


2. O uso de princípios morais, além de dinheiro, como paradigma gerencial principal.

Não é o dinheiro (ou a busca por dinheiro) que causa os problemas, assim como não é o dinheiro sozinho que os resolve. Se apenas dinheiro resolvesse, observou Sua Santidade, os Estados Unidos, com sua riqueza, não estariam vivendo as dificuldades que vivem atualmente.

De acordo com o líder espiritual, as pessoas devem começar a entender a verdadeira causa da maior parte dos problemas correntes: a falta de princípios morais. É o que faz com que as pessoas se sintam solitárias por dentro e suspeitem de todo mundo – o que as leva à ganância e, por tabela, às especulações que vêm causando as últimas crises financeiras.

A adoção de princípios morais entre as pessoas corporativas levaria as corporações a acabarem com a hipocrisia reinante e a serem verdadeiramente transparentes.

A corrupção, que existe tanto em governos como em empresas, alimenta-se dessa falta de princípios morais, raciocinou o Dalai Lama, e gera mais e mais problemas. Sua Santidade não poupou a mídia nesse diagnóstico: ”a mídia tem nariz comprido”, disse, numa alusão ao mentiroso Pinóquio, acrescentando que é preciso inserir princípios morais também nos meios de comunicação.

Ozires Silva, fundador da Embraer e organizador do Fórum de Líderes, já tinha se queixado do viés – ultrapassado – da mídia, que é o de priorizar as más notícias, o que funcionaria como um reforço negativo (e deseducativo) sobre a sociedade.

A lógica por trás do que disse Silva é: o bom, muitas vezes, é mais raro e relevante do que o ruim e, por isso, merece mais destaque jornalístico. Voltando ao raciocínio do Dalai Lama, a mídia estaria focando o ruim também por medo, ou seja, por suspeitar intrinsecamente de todas as pessoas –de novo, a ausência de princípios morais está na raiz do problema.

3. Uma reforma educacional mundial, visando ensinar primeiro ao coração e depois ao cérebro – e que seja secular.

Frisando que não tem nada contra a ciência e a tecnologia, o Dalai Lama alertou que seus usuários podem oferecer grandes riscos à sociedade se seus corações não forem devidamente educados.

A provocação de Sua Santidade se mostrou, no mínimo, interessante: para ele, o verdadeiro embate educacional não está entre conteudismo e construtivismo, como se discute hoje, mas na necessidade de priorizar, ativamente, o cultivo da inteligência emocional (dos princípios morais), para, só depois, cultivar o cérebro. Assim, sentimentos como compaixão devem ser ensinados e nutridos nas escolas.

Quando mencionaram na plateia a baixa qualidade da educação no Brasil, Sua Santidade observou: o Japão e outros países asiáticos têm alta qualidade de educação e uma taxa de suicídio crescente entre os estudantes; há algo errado nisso, não?

No entanto, essa educação do coração não pode ser, jamais, vinculada a alguma religião, segundo o Dalai Lama. Essa educação do coração precisa, obrigatoriamente, incluir o respeito à diversidade das opções religiosas e à não religião também.

4. Uma mudança radical no método atual de resolução de problemas.

Mostrando realismo, Sua Santidade afirmou que os problemas nunca acabarão por completo –problema sempre existirá. O que ele pregou foi que o método tradicional de resolver problemas (pela força, baseado em poder) seja substituído por um método mais espiritual e eficaz, que é o da negociação. Não importa quanto demore nem quanto custe, a negociação deve ser o princípio inegociável da resolução de problemas. Sua maior eficácia é indiscutível, advogou o Dalai Lama.

Comunicação despretensiosa

A cobertura do líder do budismo tibetano não costuma ser fácil para jornalistas de economia e negócios. E não apenas por seu inglês de pronúncia quase ingênua. Nem exatamente pelas palavras simples que substituem o discurso cartesiano e rebuscado próprio do “media training” a que tantos empresários e executivos recorrem. É que, diferentemente até do que se encontra em seus livros ou no conteúdo disponibilizado pelos organizadores dos eventos de que participa, Sua Santidade tece seus conceitos e raciocínios de maneira tão leve e despretensiosa, que, somado à escolha das palavras e à pronúncia, isso pode soar como auto-ajuda para os desatentos. No entanto, a mensagem desse líder espiritual jamais pode ser confundida com a superficialidade dos livros de auto-ajuda, como se percebe em suas propostas.

* Adriana Salles Gomes é editora-executiva da revista HSM Management desde sua criação, em 1997.

Portal HSM 16/09/2011

Disponível em: http://hsm.com.br/editorias/gestao/dalai-lama-propoe-novos-paradigmas-e-metodos-gerenciais